A crise existencial pós-Copenhague
O dilema ético que se coloca diante do fracasso para se chegar ao acordo climático global e as soluções mirabolantes propostas pela tecnociência
Por Juliana Radler, especial para a Rebia
É difícil escrever sobre o fracasso das negociações climáticas em Copenhague, ocorridas em dezembro passado, sem ceder ao ressentimento em relação à humanidade. Terminamos essa primeira década do novo milênio com o gosto amargo da derrota.







O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso decepcionante na conferência de Mudanças Climáticas da Onu, em Copenhague. Sua chegada era ansiosamente aguardada por todos e havia um fundo de esperança nos momentos finais das negociações, que Obama pudesse trazer uma proposta mais audaciosa para salvar as negociações do fiasco. No entanto, suas palavras só aumentaram o sentimento de frustração pelos corredores do Bella Center. Representantes da sociedade civil afirmam que o acordo que poderá ser fechado na Dinamarca não passará de uma “maquiagem verde” e não será suficiente para conter efeitos drásticos das mudanças do clima.

