Revista do Meio Ambiente 69

Revista do Meio Ambiente 69

Uma publicação da REBIA

Especial: Dia da Água | Brasília vai sediar VIII Fórum Mundial da Água | Porque o Tietê continua sujo? |…

More...
Revista do Meio Ambiente 68

Revista do Meio Ambiente 68

Uma publicação da REBIA

Seu cachorro realmente te ama | Brasil é o 77º em ranking de desempenho ambiental | Estado do Mundo: a…

More...
Revista do Meio Ambiente 67

Revista do Meio Ambiente 67

Uma publicação da REBIA

Onça pintada pode desaparecer da mata atlântica | “Açúcar é a droga mais perigosa do nosso tempo” | Pesquisadores anunciam…

More...
Revista do Meio Ambiente 66

Revista do Meio Ambiente 66

Uma publicação da REBIA

Polêmicas sobre o Consumo de Carne | Portaria libera uso de agrotóxico proibido no Brasil | A repercussão do livro…

More...
Frontpage Slideshow | Copyright © 2006-2011 JoomlaWorks Ltd.

Notícias mais recentes

 

Imprimir

PROJETO PEDAGÓGICO

em Clube de Amigos do Planeta

Este documento apresenta a concepção e a metodologia para gestão do projeto político pedagógico de formação dos Clubes de Amigos do Planeta. A elaboração de um Projeto Pedagógico democrático ocorre em instâncias e momentos de participação representativos, legítimos, transparentes e dialógicos. Invariavelmente tais momentos exigem uma mediação que possibilite a objetivação pari passo ao aprofundamento interpretativo e crítico das proposições, há a necessidade de uma desinstrumentalização dos preconceitos, do reconhecimento e valorização das diferentes contribuições e experiências da totalidade dos participantes. É importante que este processo alcance os sujeitos sociais como um todo, que este processo não se torne uma expressão burocrática onde apenas os técnicos tenham acesso. é um planejamento participativo que discute planos de construção sócio-educacional que afetam toda a comunidade. Desta forma, deve ser por ela apropriado. Um documento como este nunca fica pronto, ele é uma dinâmica processual e deve ser re avaliado e reconstruído a partir de um tempo pré definido pelo grupo.

FUNDAMENTOS

1. Educação de Amigos e Amigas do Planeta

Um processo de educação ambiental visa formar Amigos e Amigas do Planeta e não simples e pré-escritas pessoas ambientalmente educadas. O objetivo não é adequar o comportamento das(os) educandas(os) a um padrão pré-existente, definido externamente como sendo ambiental ou politicamente correto. O conteúdo das mudanças de procedimento, atitude, comportamento, opção política, escolhas enquanto consumidor, enquanto produtor, as modificações tecnológicas, deve ser definido com ou a partir das(os) educandas(os), imersos em seu contexto cultural, político, ambiental. A relação educador(a)-educanda(o) é um encontro de saberes, um diálogo democrático sobre a realidade vivida, não há saberes mais importantes, não há hierarquia de conhecimentos. Esta concepção libertária de educação emana de Paulo Freire, da Educação Popular, das práticas educacionais dos Movimentos Sociais e de outros educadores e teóricos sociais e do ambientalismo. seu fundamento político é a Democracia Radical que reconhece que cada ser humano detém o direito à participação, à definição do futuro e à construção da sua realidade. O desafio para esta educação passa pela emancipação de dominados e dominadores, explorados e exploradores.

2. Liderança democrática ou Vanguarda que se auto-anula:

Os(as) Amigos e Amigas do Planeta Ambientais desempenham um papel de liderança na medida em que intencionalmente deflagram processos reflexivos, na medida em que estão inconformadas(os) com a realidade tal qual se apresenta, na medida em que estão observando aspectos e alternativas que os demais talvez não estejam percebendo ou talvez simplesmente não acreditem que possam fazer frente ao que está estabelecido. Este papel de liderança deve ser entendido No marco da democracia radical, dentro da perspectiva de que todas(os) têm direito e devem participar da definição do futuro. O futuro desejado é um contexto no qual os diversos processos transformadores da realidade socioambiental encontram diferentes lideranças, a cada momento.

3. Intervenção educacional crítica e emancipatória:

Atendendo aos dois fundamentos anteriores, o processo de formação de Amigos e Amigas do Planeta não consiste no acúmulo ou construção de conhecimentos. O eixo da aprendizagem não é uma “grade curricular” repleta de conteúdos, mas principalmente um processo de potencialização dos indivíduos e grupos para realização de intervenções socioambientais reflexivas, educacionais, críticas e emancipatórias. Deve desenvolver um diálogo interpretativo a partir das distintas leituras da realidade vivenciada, da enunciação do futuro desejado e da formulação das distintas propostas, projetos, ações, estudos para enfrentar problemáticas (dentro do marco da complexidade) e para buscar o futuro desejado.

4. Formação de coletivos de Pesquisa-Ação-Participante (ou Pessoas que Aprendem Participativamente):

Os(as) Amigos e Amigas do Planeta ambientais devem encontrar no coletivo seu espaço de ação, de vida política (vitae activa em Arendt), de reflexão. A formação dos Clubes de Amigos do Planeta e destes em Rede da Cidadania de Monitoramento e Comunicação Socioambiental é um fundamento da proposta por entendermos que toda(o) educador(a) ambiental, vive intensamente a condição humana (segundo Arendt) de “inter homines esse”, ou seja, de estar entre humanos. Um(a) educador(a) entre Amigos e Amigas do Planeta.

O foco nos Clubes de Amigos do Planeta deve-se ao seu reconhecimento como sujeitos protagonistas do contexto e de seu conhecimento profundo da realidade, dos valores que a permeiam e das práticas sociais correntes. Estes coletivos se qualificam por várias caracterísiticas interdependentes, são um grupo de encontro (tem prazer em estar junto), um grupo de reflexão e um grupo de ação. Teoricamente encontramos qualificação na pesquisa-ação (Kurt Lewin, Thiollent, Barbier), na pesquisa participante (Brandão), na idéia de Laboratório Social (Lewin), na Comunidade Interpretativa (Boaventura e Habermas). Em resumo são grupos que se tornam coletivos identitários, pesquisadores, críticos e ativos no seu contexto social. A qualidade do diálogo dentro dos Clubes de Amigos do Planeta tem por referencial a situação linguística ideal de Habermas, na qual os preconceitos se desinstrumentalizam, na qual impera o desejo da emancipação individual e coletiva, na qual todos se expressam buscando superar os impedimentos objetivos e subjetivos à comunicação livre.

Os Clubes de Amigos do Planeta são formados pelos próprio alunos e alunas eleitos democraticamente entre os mais engajados e destacados em sua comunidade escolar.

5. Articulação dos Clubes de Amigos do Planeta

Os Clubes de Amigos do Planeta encontram limites para sua ação, para o acesso a informações, para a intervenção em políticas públicas. Estes limites só são superáveis pela articulação destes coletivos na perspectiva de rede, ou seja, os Clubes de se conectam ente si, de múltiplas formas na Rede da Cidadania de Monitoramento e Comunicação Socioambiental, um Observatório da Cidadania Socioambiental no qual os diversos Clubes articulam conhecimentos, experiências, metodologias para se avaliarem, para sistematizarem informações, para formularem propostas políticas, para incrementarem o rol de possibilidades de troca entre os Clubes. Esta articulação se torna a interlocutora com as políticas públicas nos diferentes níveis de poder.

6. Auto-gestão e continuidade do processo educativo

O cardápio de opções formativas é a base para a continuidade e a auto-gestão do processo educativo. O cardápio é uma lista que pode ser acessada pelos Clubes de Amigos do Planeta, ou mesmo individualmente, pelos(as) Amigos e Amigas do Planeta. O exercício com a gestão do próprio processo formativo através do cardápio deve se iniciar a partir da formação dos Clubes. Cada curso, cada processo formativo deve ter um currículo centrado na Práxis, os conteúdos devem ser acessados, optados conforme a práxis que o Clube exige. O rol de disciplinas de uma instituição de ensino deve fazer parte do cardápio de conteúdos, o coletivo educando pode, entretanto, optar por nenhuma delas caso perceba mais pertinente outras formas de apoio à sua ação-reflexão. O processo de atuação do Clube de Amigos do Planeta, na escola, deve permitir a elaboração de um plano de educação continuada.

7. Multiplicidade de espaços e vias educadoras


O senso comum nos faz pensar no encontro presencial de sala de aula como o único momento da educação. Na perspectiva desta proposta, a educação faz parte da vida e como tal deve ser planejada para diferentes espaços e vias. É desejável que a educação seja tanto presencial quanto à distância e difusa. O cardápio deve ser disponibilizado por diferentes vias, como oficinas, cursos presenciais, textos, programas radiofônicos, de TV... É, ou pode ser, educadora não só a sala de aula mas também um viveiro de mudas de árvores, uma trilha interpretativa ecológica rural ou urbana, uma mostra fotográfica, um museu, uma faixa de pedestres, um Centro de Educação Ambiental. Esta multiplicidade é condição para a continuidade e auto-gestão do processo formativo que não seria possível se só contemplássemos a educação no encontro presencial, em sala de aula, entre educador(a) e educanda(o).

8. Diálogo com experiências sociais disponíveis de enfrentamento da problemática socioambiental

A Educação Ambiental tem por principal riqueza ser um campo aberto, em permanente construção. Assim sendo a educação ambiental sempre se alimentou, a partir do debate ambientalista, de diversos campos do conhecimento, da sociologia à ecologia, da psicologia à economia, da pedagogia à ciência política, da antropologia à filosofia. Esta certa antropofagia da educação ambiental tem fortalecido suas práticas, suas reflexões. No entender desta Proposta a Educação Ambiental deve efetivamente incorporar este diálogo no âmbito das práticas sociais. Boaventura de Sousa Santos acusa a modernidade de ter restringido o presente (só podemos nos adequar se formos ou fizermos um rol muito restrito de opções de ser, fazer, consumir, produzir) e alargado o futuro (como se a grandiosidade deste prescindisse de uma enunciação particular). À Educação Ambiental cumpre fazer aquilo que Boaventura denomina de “Sociologia das Ausências” e que pode ser entendido como o reconhecimento, o entendimento e a valorização de todo o conjunto de experiências sociais disponíveis. Tudo aquilo que estiver sendo feito, a agroecologia, os grupos ambientalistas, os grupos de jovens, de mulheres, as receitas alternativas, as plantas medicinais, os grupos de auto-construção, os mutirões; aquilo que parecia anacrônico, arcaico, como cozinhar com lenha, plantar feijão e milho "casado". Tantas experiências que devem ser alimento para as práticas da educação ambiental, tantos sujeitos que devem ser entendidos como sujeitos da educação ambiental. A educação ambiental em qualquer contexto não pode negar sua essência dialógica e desvelar práticas prescritivas.

Os (as) Amigos e Amigas do Planeta devem ser facilitadores e mediadores do alargamento do presente através da sociologia das ausências que ao invés de sugerir a forma certa de ser e estar no mundo lerá na realidade o conjunto de opções que permite a construção do futuro desejado. Exige mapeamento das mesmas e conseguinte dignóstico participativo.O mapeamento é uma etapa que busca uma leitura mais descritiva dos processos e menos valorativa, o diagnóstico, numa segunda etapa consiste no julgamento ético (certo ou errado), político (bom ou ruim) e estético (bonito ou feio) para cada pessoa e grupo social. Este diagnóstico deve estar acompanhado de um processo de reflexão e interpretação do que se define como problema e do que se define como desejável.

9. Arquitetura da Capilaridade


Todas(os) as(os) brasileiras(os) têm o direito de participar da definição do futuro do país. Cada pedaço deve se configurar de acordo com os desejos e as ações de 100% de seus integrantes. Este fundamento da proposta também é uma decorrência do princípio da participação ampla e irrestrita da democracia radical. A idéia da participação de todas(os) não significa harmonia, ausência de conflito ou divergência de interesses mas que há por objetivo o equilíbrio dos poderes que conferem hoje, a uma minoria o direito de configurar todo um estado, bioma, município ou país.

A arquitetura da capilaridade é pensada em cada contexto, tem por objetivo ter Amigos e Amigas do Planeta atuando em toda a sua diversidade, cada cidadã ou cidadão poderá estar em contato com um(a) educador(a) ambiental, qualquer cidadã ou cidadão pode participar de um coletivo de reflexão sobre a sua realidade, seja no âmbito do trabalho, do bairro, da comunidade.

O planejamento da arquitetura começa com formação do Clube de Amigos do Planeta na escola, é um momento chave e deve buscar a diversidade possível.
Em etapas posteriores entende-se que os Clubes, uma vez formados, buscarão se integrar na Rede / Observatório da Cidadania Socioambiental e, a partir daí, buscar articular-se com os demais atores sociais e formuladores de políticas públicas.

10. Democratização e acessibilidade a informações e aos foros de participação

As informações, os cardápios de conteúdos, os foros de participação criados não devem ser privatizados, são espaços e conhecimentos públicos. Deve haver, por parte dos(as) Amigos e Amigas do Planeta, dos Clubes e da Rede, a busca por socializar práticas, debates e conhecimentos. Esta busca se efetiva na implantação de rádios comunitárias, distribuição da Revista do Meio Ambiente, entre outros meio de comunicação, na atualização diária do site do Projeto, ancorado no Portal do Meio Ambiente, na formação de uma mala direta digital de interessados e parceiros que poderão receber diariamente um boletim do Clube/Rede/Observatório com notícias de interesse local e do próprio Clube.

A democratização da informação exigirá dos Amigos e Amigas do Planeta processos de tradução (saber popular para saber técnico e vice-versa) e de transposição da mídia (de vídeo para texto, de áudio comum para MP3, de artigo científico para cartilha, de presencial para vídeo, etc...). A disponibilização de informações em diferentes meios, diferentes mídias visa a sua acessibilidade amplamente democrática, desde o educando que atua dentro da Universidade ao ribeirinho que acessa menos meios eletrônicos.

CONCLUINDO...


A enunciação destes fundamentos, de forma didática, tem por objetivo facilitar o diálogo da proposta fundadora da política de formação de Amigos e Amigas do Planeta da REBIA com propostas em andamento ou que aportam ao programa da REBIA. Os(as) Amigos e Amigas do Planeta ambientais inserem-se na trajetória das conquistas democráticas e da cidadania ambiental em nosso país e que teve por porta de entrada diferentes origens profissionais, de militância política, estudantil, ambientalista.

PESQUISA


Para a implantação do Projeto numa região deve-se tomar o cuidado de realizar levantamentos, através de uma Pesquisa Documental e Bibliográfica (bibliotecas, internet, documentos das redes e movimentos...) e ter um seguimento “in loco” com equipe multidisciplinar a fim de mapear na região as pessoas e organizações que de fato poderão contribuir com seus diferentes conhecimentos/diferentes áreas para a implantação dos Clubes/Rede/Observatório Amigos do Planeta. Para isso é tão importante valorizar os voluntários (as) ambientais da REBIA que poderão ajudar e mesmo trabalhar o programa.

- Identificação dos grupos sociais


Compreender a relações existentes entre os diversos grupos sociais das áreas de atuação;
Sistematizar os bancos de dados georeferenciando-os;
Organizar em um banco de dados os projetos/ações de instituições;
Levantar problemas com a participação das comunidades e potencializar ações;

1. Quem faz e onde faz Educação Ambiental? (pessoas de referência)
2. Dentro de qual projeto ou programa?
3. A qual público se destina? (pessoas de referência)
4. Qual o material produzido?
5. Quais projetos já foram realizados?
6. Quais são as demandas principais?
7. Fluxo de informação
8. Quais cursos de Educação Ambiental já ocorreram e quem participou ?
9. Lendas e mitos existentes
.

Você é registrado? Efetue login no menu a direita ou Clique aqui...

VÍDEOS AMBIENTAIS - Aves coloridas da Mata Atlantica

 
Sugerido por: Vilmar Berna (enviado via Facebook)