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Educar para a sustentabilidade, do acionista à faxineira

Publicado . em Educação & Cidadania

O grande desafio é a educação para a sustentabilidade. Formar inclusive o presidente, o conselho de administração, todas esferas da organização. E esse processo demora sete, oito, dez anos para atingir uma empresa, opinou Valter Faria, da Corp Brasil, no painel Comunicação como processo educativo e transformador do Seminário Unomarketing. Às vezes, uma iniciativa começa pela qualidade total, por uma questão de segurança, mas acaba esbarrando no todo-poderoso conselho de administração.

 

 

A comunicação só entra na jogada depois de se atravessar várias fases de convencimento. Antes disso, as organizações precisam passar por descobertas. E esse foi justamente o objeto do painel realizado em São Paulo, na Fecomércio, no dia 28 de setembro. O consultor ressaltou que hoje os empresários precisam se perguntar: meu produto é sustentável? Sim, isso é uma questão de negócio! “Os fundos de pensão não vão comprar ações de empresa que não terão rentabilidade por 10, 15, 20 anos”, alerta o professor de governança corporativa, sustentabilidade nos negócios e relações com investidores em MBAs.

Faria ainda recomenda a adoção de um “pensamento sistêmico”, mas que é difícil o envolvimento de todos, incluindo o universo do marketing. Para ele, isso não é uma questão de se ceder a uma tendência, é uma questão de inteligência. E para que haja convencimento dos públicos, é preciso considerar os vários níveis de compreensão. Aí entra a comunicação: ele acha que falta mostrar a aplicação concreta da sustentabilidade.

Já Fábian Echegaray acredita que o grande obstáculo para se avançar rumo às ações pela sustentabilidade são os próprios acionistas da empresa, pois dependem do atual modelo de produção. Agora sou obrigada a fazer um aparte. Durante uma entrevista com André Trigueiro, na Conferência do Instituto Ethos deste ano, ouvi da boca dele uma definição interessante para essa situação levantada pelo painel. André acredita que há dois tipos de perfis de empreendedores, líderes, manda-chuvas, gestores etc: os do século 21 e os do século 20. Com base nisso, arrisco em dizer que vi muitas cabeças com ideias estruturadas e pensamentos do século 21, mas o pé no século 20.Outros procuravam mostrar que estavam já neste século, porém as práticas que se constata no dia a dia ainda estão no início do século 20. Porém teve gente que demonstrou estar de corpo e alma no século 21. Esses, os inovadores, cheios de energia para conexões, cooperação e que trabalham em rede fazem parte da tal Geração M. Vale lembrar que isso não tem a ver com a idade, mas sim com o nível de consciência. São as pessoas que querem fazer a diferença, que querem realizar ações, colocar a mão na massa.

Paralelo ao evento, rolava uma feirinha com várias iniciativas bacanas, muitas com espírito do século 21. No entanto, havia produtos travestidos de greenwashing, ou seja, diziam ser uma coisa que não eram. Um catálogo de brindes, por exemplo, trazia na capa uma chamada que não tinha nada do conteúdo que anunciava. E aí entra, mais uma vez, a necessidade de se ter profissionais da área da comunicação que compreendam minimamente as questões que envolvem a sustentabilidade.

É interessante todo esse panorama de iniciativas interessantes _ como uma árvore de papel, onde cada um podia escrever seu desejo, ONGs mostrando resultados práticos _ com outras organizações que precisam ser mais consistentes, sob o ponto de vista ecossocial. Todo esse contexto mostra como se deve estar aberto para aprender dentro dos diversos níveis de todo esse processo.

Acredito que cada vez mais os distintos públicos terão cérebros mais aguçados para compreender o que é ou não é ecológico. E isso é vital para não se perder credibilidade. Por exemplo, o que é um design consciente? Algo que produz muitas sobras, aparas de um papel ou que não pode ser reciclado?

A organização do evento se esforçou bastante para mostrar ações sustentáveis – o menu incorporou receitas que reaproveitava rejeitos de vegetais, como um brigadeiro delicioso feito de casca de banana _ mas deslizou em detalhes (que, reconheço, são insignificantes para a loucura de São Paulo), mas que comunicam. Nas mesinhas do palco, dezenas de garrafinhas d´água mineral, aquelas bem pequenas, mataram a sede dos painelistas. Eles poderiam tomar água de jarras, por exemplo. Menos embalagens. Isso é apenas um detalhe, talvez a própria Fecomercio não tenha oferecido outra possibilidade.

Mas o que mais incomodou a mim e a outros participantes, mais foi a impossibilidade de se fazer perguntas diretamente aos palestrantes e o equipamento audiovisual, que apresentou vários problemas, sem falar que a maior parte das apresentações estavam fora de foco (literalmente). Mais uma vez, isso não é culpa da organização, da Sator e da Report, pois os equipamentos devem ter sido emprestados. Porém indica, na prática, uma questão salientada no evento: a necessidade da cooperação e do trabalho em rede para a solução de problemas. E isso, ainda todos nós estamos tentando ajustar o foco.

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