Dia da árvore - Finalmente achamos uma na Mata Atlântica que produz jóias!
Sementes coloridas ("jóias") da árvore da Mata Atlântica "olho-de-cabra" que encontramos na RPPN Taipa do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC). Neste dia da árvore, vamos homenagear uma árvore bastante simbólica da Mata Atlântica. É uma árvore desconhecida para a maioria das pessoas, mas sua semente é uma das mais chamativas que existe no mundo, cuja foto está acima. Trata-se da árvore conhecida popularmente pelos nomes olho-de-cabra, coronheiro, pau-ripa, dentre outros. O nome científico é Ormosia arborea, da Família: Fabaceae Faboideae
Publicado por Germano Woehl Jr. do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade.
É uma árvore muito cobiçada pelo homem não exatamente pela beleza das sementes, mas para ser abatida pela qualidade da madeira. Eu desejei muito ter esta árvore em nossas propriedades, para proporcionar as gerações futuras o prazer de admirar esta beleza da biodiversidade da Mata Atlântica.
Já produzi centenas de mudas, o que é muito fácil, mas apenas uma das mudas transplantadas sobreviveu na RPPN Santuário Rã-bugio e apresenta um crescimento extremamente lento. Creio que vai levar décadas para atingir a fase adulta, talvez até mais de 100 anos, se sobreviver, porque têm exigido um cuidado constante nos últimos 16 anos e ainda não passou de 30 cm de altura. Está muito doente. Parece querer nos enviar uma mensagem de que na natureza não é possível reconstituir aquilo que foi destruído que todo o nosso esforço deve ser no sentido de salvar o que ainda resta.
Então, minha esperança passou a ser encontrar esta magnífica árvore em nossas áreas protegidas (RPPNs) de Itaiópolis (SC). Os moradores do entorno garantiram que têm vários exemplares de grande porte. Só que nunca havíamos encontrado. Porém, no dia 06/09/2010, bem na véspera do dia da Independência do nosso Brasil, finalmente tivemos a felicidade de encontrar um exemplar gigantesco desta árvore na RPPN Taipas do Rio Itajaí, adjacente à RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. Estava com as sementes ("jóias") se desprendendo das vagens, conforme mostra a imagem abaixo.
Um dos dispersores destas sementes é o jacu, que é atraído, ou melhor, enganado pelo colorido das sementes, achando tratar-se de um apetitoso fruto maduro e enche sua moela com estas sementes duras, que acabam não lhe nutrindo. Esta estratégia das árvores enganarem os dispersores com sementes coloridas não é rara. A semente, que é extremamente dura, ao passar pelo aparelho digestivo da ave acaba sofrendo ruptura da casca protetora (quebra de dormência) e assim a água penetra e dispara o processo germinativo.
Enquanto coletávamos algumas sementes para mostrar para os estudantes nas atividades de educação ambiental observamos algumas sementes parcialmente roídas, certamente por ratos silvestres. Algumas destas sementes estavam germinando. Assim, deduzimos que estes animais podem também ser dispersores importantes desta árvore, já que eles estocam as sementes longe da árvore mãe e devem perder algumas sementes com a casca parcialmente roída no meio das folhas secas.
Nossa felicidade foi tanta que nem reclamos muito dos carrapatos (micuins) que pegamos por rastejar sob a árvore para catar as sementes, ou melhor, as jóias.
Veja as fotos e curiosidades sobre este valioso patrimônio de todos os brasileiros, QUE PRECISA SER DIVULGADO PARA SER VALORIZADO.
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Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – SC
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